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Bactérias: um factor negligenciado na doença pulmonar intersticial?

Sabia que os seus pulmões estão repletos de bactérias? Em tempos pensávamos que os pulmões eram «estéreis» (isentos de bactérias), mas agora sabemos que estas pequenas criaturas também se encontram presentes na membrana das nossas vias respiratórias. Os investigadores pensam que estas poderão até desempenhar um papel no desenvolvimento de doença pulmonar intersticial (DPI). Por esta razão, vamos olhar mais atentamente para os nossos pequenos companheiros e descobrir o que sabemos sobre eles!

Existe uma simbiose: nós precisamos das bactérias e elas precisam de nós

Como humanos, somos hospedeiros de microrganismos basicamente no nosso corpo inteiro. O agregado total de microrganismos denomina-se de «microbiota» humana. Um dos locais onde estes microrganismos residem é o pulmão, denominando-se por isso de microbiota pulmonar ou «microbioma pulmonar». Apesar de o facto de estarmos cobertos de bactérias poder parecer um pouco assustador, elas são na verdade essenciais para a nossa saúde. Existe uma simbiose: nós precisamos das bactérias e elas precisam de nós. Contudo, alterações na quantidade ou composição do microbioma também foram implicadas em muitas doenças e, recentemente, a DPI tornou-se uma delas. Investigadores da Universidade do Michigan, nos Estados Unidos, descobriram que os doentes com fibrose pulmonar idiopática (FPI) — a DPI estudada com mais frequência — muitas vezes têm um microbioma alterado. 

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Os investigadores descobriram que o domínio relativo de bactérias específicas nos pulmões estava associado a progressão e/ou exacerbação aguda da doença. Também se verificou que uma carga bacteriana total aumentada estava igualmente relacionada com a DPI. Então, isto significa que temos de erradicar tantas bactérias quanto possível nos doentes com DPI? De acordo com os investigadores, isso poderia ser um pouco abrupto. O microbioma é dinâmico e interage, por um lado, com o sistema imunitário do hospedeiro e, por outro, com o ambiente.

É possível que determinadas bactérias que invadam esta relação, que normalmente é simbiótica, possam iniciar uma resposta imunitária e despoletar ou propagar uma susceptibilidade existente à DPI. Por outro lado, as alterações no microbioma também podem ser o resultado de um sistema imunitário já alterado. Talvez, no futuro, os antibióticos ou vacinas contra agentes patogénicos possam tornar-se uma potencial terapêutica adjuvante na DPI. Quando o papel dos agentes patogénicos for identificado, direcionar a terapêutica para os mesmos poderá limitar o respetivo impacto na fibrose. Além disso, a descoberta do papel do microbioma na DPI pode ser um passo importante para tratar esta doença, ao mesmo tempo que pode também servir como um biomarcador e ajudar-nos a entender como surge a DPI. 

 
Talvez, no futuro, os antibióticos ou vacinas contra agentes patogénicos possam tornar-se uma potencial terapêutica adjuvante na DPI
Referências
Margaret L. Salisbury, MeiLan K. Han, Robert P. Dickson, and Philip L. Molyneaux (2017) Microbiome in interstitial lung disease: from pathogenesis to treatment target. http://dx.doi.org/10.1097/MCP.0000000000000399.

 

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PM/INS-181010_jun2018