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A Doença Pulmonar Intersticial (DPI) é uma doença muito interessante devido à sua complexidade

Dr. Laurens De Sadeleer
Tempo de leitura: 3 min

Por que razão o jovem médico Laurens De Sadeleer escolheu uma carreira na DPI?

Quando os jovens médicos terminam a faculdade de medicina, têm de tomar uma decisão muito importante: que tipo de médico vão ser? Cirurgião, médico de medicina geral e familiar, pediatra, reumatologista? A lista é interminável! Então, o que inspira os jovens médicos a tornarem-se pneumologistas e, especificamente, pneumologistas que se especializam em doença pulmonar intersticial (DPI)? Laurens De Sadeleer, ele próprio um jovem médico, fala sobre a carreira que escolheu e sobre o que o atrai mais numa doença como a DPI. Ele fornece também uma visão acerca do que os estudantes aprendem sobre esta doença desafiadora na faculdade de medicina.

Novos desenvolvimentos são um motivo para os doentes e as pessoas que lhes são próximas manterem a esperança

«Para mim, estudar medicina foi uma escolha lógica», diz Laurens De Sadeleer. «Ser médico combina ciência e cuidar de pessoas, dois pontos que sempre me atraíram. Proporciona-me o desafio intelectual de que eu tanto gosto.» Laurens De Sadeleer terminou o mestrado em medicina na Universidade de Leuven há dois anos. Depois de ter completado os dois primeiros anos da especialização em pneumologia, teve a oportunidade de iniciar o seu doutoramento em DPI. Quando terminar esses quatro anos de investigação, Laurens De Sadeleer espera continuar com os dois anos restantes da sua especialização, após os quais será oficialmente um pneumologista. Mas como surgiu este fascínio pela DPI? Laurens De Sadeleer: «No meu último ano como estudante de medicina, tive de fazer muitos internatos. Um dos internatos que fiz foi com o Professor Wuyts, especialista em DPI, no Departamento de Pneumologia e foi aí que nasceu o meu fascínio por esta doença. Uma vez que há cerca de duzentos tipos diferentes de DPI, são necessários diagnósticos desafiadores e difíceis. «É bastante difícil descobrir o tipo de DPI que um doente tem», diz Laurens De Sadeleer. «O que torna esta doença tão interessante é a sua complexidade. Fascinou-me desde então.»

Columbofilia

No seu doutoramento, Laurens De Sadeleer focou-se num tipo específico de DPI: pneumonite de hipersensibilidade crónica. As pessoas desenvolvem este tipo de fibrose pulmonar quando inalam material orgânico. «Especialmente pessoas que estão em contacto directo com pássaros ou que têm fungos nas suas casas podem desenvolver este tipo de fibrose pulmonar», explica Laurens De Sadeleer. Com a sua investigação sobre a pneumonite de hipersensibilidade crónica, Laurens De Sadeleer e os seus colegas tentaram descobrir por que razão algumas pessoas que estão em contacto com pássaros, como os columbófilos, desenvolvem esta doença e outras pessoas não. Laurens De Sadeleer: «Em Leuven, estamos numa posição única. O nosso hospital é um dos maiores centros de transplantes pulmonares da Europa. Por esta razão, podemos investigar os pulmões doentes que são removidos por cirurgia de transplante. Igualmente, uma vez que podemos observar exames dos pulmões completos, podemos ver que algumas áreas estão totalmente destruídas pela fibrose, enquanto outras partes do mesmo pulmão não estão. Esperamos descobrir por que razão isto acontece.» A sua investigação ainda está a decorrer, pelo que é demasiado cedo para resultados concretos. Contudo, Laurens De Sadeleer afirma que encontraram pistas bastante promissoras que continuarão a investigar.

Sons crepitantes

Foi durante o internato no Departamento de Pneumologia que Laurens De Sadeleer teve contacto próximo com a DPI. Relembrando o tempo em que era estudante de medicina, conclui que a informação sobre a DPI durante as aulas era escassa, tal como acontecia com a maioria das doenças raras. «A DPI era certamente abordada, mas não em detalhe, e muito menos eram discutidos os duzentos tipos da doença», refere Laurens De Sadeleer. No entanto, ele explica que tal não é necessário. «A faculdade de medicina estabelece as bases para todo o tipo de médicos: médicos de medicina geral e familiar, reumatologistas, ortopedistas, etc. Nem todos os médicos serão consultados por doentes com DPI, pelo que nem todos precisam de saber todos os detalhes. Contudo, penso que é importante que os médicos saibam que esta doença existe. Assim, quando um cardiologista observar um doente com falta de ar e com um som crepitante nos pulmões, mas sem doença cardíaca subjacente, este deve estar alerta e consciente sobre a DPI. A consciencialização sobre a DPI deve ser melhorada, para os doentes não perderem tempo valioso antes de o diagnóstico ser feito de modo conclusivo.»

Esperamos descobrir por que razão algumas áreas dos pulmões estão totalmente destruídas pela fibrose, enquanto outras partes do mesmo pulmão não estão

Partilhar experiências

Aos jovens especialistas que procuram informações sobre a DPI, Laurens De Sadeleer indica que o campo da DPI está constantemente a mudar, pelo que pode ser desafiador conseguir uma boa perspetiva sobre o atual ponto da situação. Ele diz: «Penso que é importante que as pessoas interessadas na DPI se encontrem, por exemplo em conferências, para partilharem informações, resultados de estudos, experiências e visões. O mundo da DPI é pequeno e os especialistas nesta doença nem sempre têm alguém por perto com quem possam trabalhar ou organizar coisas em conjunto. É por isso importante que os especialistas em DPI se reúnam com regularidade. O lado positivo destes tempos dinâmicos na DPI», conclui Laurens De Sadeleer, «é que estes novos desenvolvimentos também são um motivo para os doentes e as pessoas que lhes são próximas manterem a esperança.»


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