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Entrevistas

Da limonada gaseificada a fármacos que mudam a vida: a ascensão da Boehringer Ingelheim na medicina respiratória

Os primeiros passos da Boehringer Ingelheim na medicina respiratória começaram em 1885. Nessa altura, Albert Boehringer, um químico alemão, decidiu comprar uma fábrica de tártaro em Ingelheim am Rhein. Começou a produzir tártaro e outros sais do ácido tartárico, que eram utilizados principalmente na indústria alimentar. No entanto, durante o século XX, a empresa começou a evoluir em direção a produtos que poderiam ser utilizados na iminente indústria farmacêutica.

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Primeiro, a então chamada C.H Boehringer Sohn começou a vender produtos de base para farmácias. Mais tarde, em 1921, a Boehringer Ingelheim teve a sua primeira inovação na medicina respiratória: a empresa purificou a «lobelina» — um alcalóide — e formulou-a como medicamento, o qual foi utilizado com grande êxito para estimular a respiração, por exemplo em doentes com asma. Contudo, pouco depois do filho de Albert assumir a gestão da empresa, foi lançado outro tratamento para doenças respiratórias em 1941, abrindo novas possibilidades para o tratamento da asma. Durante as décadas seguintes, foram continuamente desenvolvidos outros medicamentos sujeitos e não sujeitos a receita médica focados em várias doenças respiratórias. Por exemplo, em 2002, a Boehringer Ingelheim lançou um fármaco de grande impacto para a doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC). Em linha com o foco da empresa na área respiratória, a Boehringer Ingelheim adquiriu uma empresa de microtecnologia em 2003, criando um novo modo de gerar aerossóis terapêuticos para ajudar doentes com condições respiratórias.

Embora esta «empresa familiar» empregue atualmente cerca de 50.000 pessoas em todo o mundo, a sua missão permanece inalterada: desenvolver medicamentos inovadores e soluções de cuidados de saúde em áreas de necessidade médica não atendida — criar valor através da inovação. Isto tornou-se claro para a medicina respiratória entre 2013 e 2015, com a aprovação e o lançamento de vários medicamentos novos e várias indicações novas, incluindo doenças respiratórias raras como a fibrose pulmonar idiopática (FPI).

O entusiasmo da investigação

O Dr. Bernd Disse trabalhou como líder do departamento de investigação e, mais tarde, do departamento de desenvolvimento clínico na área de Medicina Respiratória da Boehringer Ingelheim desde a década de 1980 até à de 2010, fazendo dele uma excelente testemunha das inovações dos últimos trinta anos. «Licenciei-me em química e medicina», refere Bernd Disse, «e comecei a trabalhar para a Boehringer Ingelheim em 1980. Quis combinar a minha paixão pela química e pela medicina, e o ramo da investigação e medicina respiratória da Boehringer Ingelheim revelou ser um sítio excelente para isso.»

Segundo Bernd Disse, na década de 1980 a Boehringer Ingelheim era uma empresa líder em doenças respiratórias na Alemanha. «Estava muito entusiasmado com a dedicação à medicina respiratória que encontrei na Boehringer Ingelheim», refere Bernd Disse. «Não era possível encontrar essa dedicação em nenhum outro sítio na Alemanha. Uma dedicação semelhante poderia ser encontrada apenas noutros países europeus ou nos Estados Unidos. A Boehringer Ingelheim tem um compromisso a longo prazo com a investigação e o desenvolvimento de medicamentos para doenças respiratórias. Esse tipo de compromisso cria um ambiente muito estável, que é indiscutivelmente necessário para o êxito.»

De que modo um especialista preveria as direções da futura investigação nesta importante área?

«Relativamente à fibrose pulmonar progressiva, penso que o envolvimento dos pulmões nalguns doentes com doenças auto-imunes do tecido conjuntivo tem sido, de certo modo, ignorado na prática clínica. Talvez fosse esta a causa, porque não há nenhum tratamento eficaz para o envolvimento dos pulmões. Veja-se por exemplo uma doença como a artrite reumatóide. Cerca de dez por cento destes doentes apresentam fibrose pulmonar progressiva e poderão até falecer devido à mesma. A questão-chave é: esta fibrose responderia a tratamentos já existentes para a FPI? Isto é agora investigado num conjunto de grandes estudos que incluem doentes com doenças sistémicas que apresentam fibrose pulmonar progressiva.» Apesar do progresso no campo da fibrose pulmonar, Bernd Disse prevê igualmente o desenvolvimento noutras áreas respiratórias, tais como fibrose cística, DPOC ou asma.

Em última análise, este modo de fazer investigação pode não ser muito diferente do modo como Albert Boehringer começou a fazer investigação na sua fábrica de tártaro há mais de 130 anos. «É tudo uma questão de atitude», conclui Bernd Disse. «Fui sempre muito feliz no ambiente da Boehringer Ingelheim. Era um ambiente científico e aberto, havendo definitivamente prevalência tanto de questões éticas como médicas. Espero sinceramente que a Boehringer Ingelheim possa continuar a fornecer inovação médica aos doentes que sofrem de doenças pulmonares.» Podemos imaginar que, se Albert Boehringer ainda fosse vivo, anuiria como sinal de aprovação.


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